Projeto Um Novo Olhar: resgata a autoestima, autoconfiança e autovalorização de mulheres vítimas de agressão



Projeto restaura as marcas da violência, tanto as externas quanto as internas, ajudando a recolocação das mulheres na sociedade e no âmbito familiar e profissional

O Projeto “Um Novo Olhar”, foi idealizado pela Dr. Carla Góes, médica cirurgiã, especialista em dermatologia. Faz parte do Comitê de Combate à violência contra a Mulher do Grupo Mulheres do Brasil e da Plataforma SOS Mulher do governo.

Objetivo 

Oferecer um atendimento imediato às mulheres que sofreram violência, devolvendo-lhe a oportunidade de viver dignamente. Trata-se de uma iniciativa que visa à recolação dessas vítimas na sociedade, orientando-as a retomar suas relações pessoais, familiares, sociais, profissionais e assim, passem a acreditar que uma nova história possa ser construída. Trabalhar com a esperança das vitimadas, a começar com a sua autovalorização para despertar o desejo de renovação. Um dos caminhos é apagar a marca da violência, da dor, da vergonha. O objetivo é levantar a autoestima e, por sua vez, a autoconfiança.

A maioria das violentadas é atingida no rosto, e as marcas internas se agregam às externas. A dermatologista explica que essas agressões mexem com o emocional das vítimas, uma vez que elas sentem envergonhadas, eliminadas do seu mundo, excluídas da sociedade, e o pior, culpadas pelo episódio. Algo que, segundo a doutora, atende ao desejo do agressor. Isso porque um homem, ao desfigurar uma mulher, ele quer, de fato, envergonhá-la, deixá-la escondida e ainda culpá-la pela situação. Para reverter esse quadro, o projeto “Um Novo Olhar” é uma iniciativa privada é mostrar a essas mulheres que elas são as vítimas, e, assim, acalentá-las, dar dignidade a elas, apagar as marcas da violência e devolvê-las fortalecidas para que todas possam ser despertadas para um novo ciclo, e assim fortalecidas sintam – se aptas a viver uma nova vida.

Preocupante

Segundo o Mapa da Violência de 2015, organizado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), num total de 83 países investigados, o Brasil ocupa o 5º lugar no ranking das nações onde se matam mais mulheres. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os últimos dados disponíveis mostram que os feminicídios (quando o crime é cometido por menosprezo à condição feminina) cresceram 21% de 2016 para 2017, chegando a 1.133 casos em 2017, ou seja, 1,1 para cada 100 mil mulheres. Já os homicídios com vítimas mulheres subiram 6,1%, chegando a 4.539 em 2017, ou seja, 4,3 por 100 mil mulheres. Enquanto os registros de violência doméstica e lesão corporal dolosa por 100 mil indivíduos ficaram estáveis. Foram 184 casos por 100 mil mulheres em 2017, num total de 193.482 registros. O número equivale a 22 casos por hora. No entanto, este último ato violento é o que mais preocupa o público feminino, pois 42% das agressões são cometidas na própria residência das vítimas.

Muitas ações para ajudar na segurança das vítimas têm sido realizadas tanto pelo poder público quanto privado, assim como iniciativas de instituições voltadas aos direitos humanos. A Lei Maria da Penha é considerada a principal delas, e, ao ser sancionada em 2006 pela Presidência da República, vem contribuindo para a identificação dos casos, e ajudando na assistência, orientação e proteção às vítimas, e, principalmente, com a punição dos agressores. Ainda há muito o que se fazer com relação a esses ataques ao público feminino, ainda mais quando o Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta que menos de 10% das cidades do país têm delegacias especializadas no atendimento a mulheres. No entanto, tais iniciativas são um avanço, e outras se unem, como o projeto da Dr. Carla Góes, a fim de contribuir com o resgate de vidas abaladas corporal, mental e socialmente.

A idealizadora

Carla Góes é médica cirurgiã, especialista em Dermatologia, Longevidade e Qualidade de Vida. Pós-graduada pela Universidade John F.Kennedy. Integra a Sociedade Brasileira de Laser e é membro do Comitê de Combate à Violência Contra a Mulher do Grupo Mulheres do Brasil. Ministra palestras e presta consultoria sobre saúde, beleza, bem-estar e poder feminino para diversos veículos de comunicação. É autora dos livros “Grávida e Bela”, “Mãe, e Agora?”, “Belíssima: aos 40, 50, 60…” e “Beleza Sustentável – Como Pensar, Agir e Permanecer Jovem”, e o último lançamento “O Poder É Seu”.